{"id":2936,"date":"2022-07-02T06:06:20","date_gmt":"2022-07-02T09:06:20","guid":{"rendered":"http:\/\/revistabahianow.com.br\/?p=2936"},"modified":"2022-07-02T06:06:20","modified_gmt":"2022-07-02T09:06:20","slug":"salve-o-2-de-junho-conheca-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistabahianow.com.br\/?p=2936","title":{"rendered":"Salve o 2 de Junho ! Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Na madrugada de 2 de Julho de 1823, a cidade de Salvador amanheceu quase deserta: o ex\u00e9rcito Portugu\u00eas deixou em definitivo a prov\u00edncia da Bahia. Dizem* que o dia nasceu bonito, sem as chuvas de junho. O sol brilhou!<\/p>\n<p>Os baianos conhecem esta data como sendo a Independ\u00eancia do Brasil na Bahia, que celebra a vit\u00f3ria dos brasileiros na guerra travada na ent\u00e3o prov\u00edncia da Bahia, por mais de 17 meses (de fevereiro de 1822 a julho de 1823) contra as tropas portuguesas. Com a vit\u00f3ria do Ex\u00e9rcito e da Marinha do Brasil na Bahia, consolidou-se a separa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Brasil de Portugal.<\/p>\n<p>Sendo assim, com base nos estudos de Lu\u00eds Henrique Dias Tavares, historiador, professor em\u00e9rito da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o 07 de setembro de 1822 \u00e9 uma data simb\u00f3lica, n\u00e3o se tratando da real data da independ\u00eancia do Brasil, at\u00e9 porque um peda\u00e7o enorme do pa\u00eds (regi\u00e3o Nordeste) ainda n\u00e3o era independente.<\/p>\n<p>Este assunto \u00e9 curioso e at\u00e9 mesmo pol\u00eamico para quem n\u00e3o \u00e9 da Bahia. O fato \u00e9 que talvez voc\u00ea nunca tenha parado para imaginar o que aconteceu na guerra da independ\u00eancia na regi\u00e3o Nordeste, com caracter\u00edsticas muito diferentes da maneira como o Brasil foi separado de Portugal.<\/p>\n<p>O 2 de Julho ficou na rever\u00eancia patri\u00f3tica dos baianos que, desde ent\u00e3o, estabeleceram a tradi\u00e7\u00e3o de comemor\u00e1-lo anualmente com a repeti\u00e7\u00e3o da entrada do Ex\u00e9rcito Pacificador na cidade de Salvador.<\/p>\n<h3>Do come\u00e7o \u2013 O Fogo simb\u00f3lico<\/h3>\n<p>O primeiro passo \u00e9 o fogo simb\u00f3lico que representa a uni\u00e3o dos povos que lutaram pela independ\u00eancia. O fogo \u00e9 aceso no dia 30 de junho na Igreja de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, em Cachoeira, no rec\u00f4ncavo baiano. Neste mesmo dia, tamb\u00e9m \u00e9 celebrado o Te Deum pela Independ\u00eancia do Brasil na Bahia, uma louva\u00e7\u00e3o na Catedral Bas\u00edlica de Salvador, no Terreiro de Jesus, Pelourinho (que em 2022 acontece na Igreja de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos, tamb\u00e9m no Pelourinho).<\/p>\n<p>O rito do fogo simb\u00f3lico \u00e9 representado por uma chama em uma tocha que percorre diversas cidades sendo passada de m\u00e3o em m\u00e3o por atletas amadores, oficiais do ex\u00e9rcito, atletas profissionais, artistas e l\u00edderes pol\u00edticos com destino \u00e0 cidade de Salvador, no bairro de Piraj\u00e1, onde se acende uma pira no dia 01 de julho.<\/p>\n<p>Para entender melhor a hist\u00f3ria, foi nesta igreja, l\u00e1 em Cachoeira, que no dia 25 de junho de 1822, durante a celebra\u00e7\u00e3o do Te Deum, que a escuna canhoneira enviada pelo Brigadeiro Portugu\u00eas Madeira de Melo para fechar o porto da cidade disparou o primeiro tiro contra a vila, e assim a guerra se desencadeou. Por este motivo, o Fogo Simb\u00f3lico sai de l\u00e1.<\/p>\n<p>Foram brasileiros que, de fato, libertaram a cidade de Salvador, com armas em suas m\u00e3os, come\u00e7ando em Cachoeira, Santo Amaro, Maragogipe, S\u00e3o Francisco do Conde, Nazar\u00e9 das Farinhas, Jaguaripe, Saubara, formando um ex\u00e9rcito em frangalhos. Depois, eles se juntaram aos brasileiros que desceram l\u00e1 de Caetit\u00e9 e de outras partes do sert\u00e3o e da Chapada.<\/p>\n<h3>Personagens da Hist\u00f3ria e Figuras simb\u00f3licas<\/h3>\n<p>A festividade do dois de julho sempre foi mais ligada \u00e0s causas populares. As figuras de Maria Quit\u00e9ria, Joana Ang\u00e9lica, o Corneteiro Lopes e Jo\u00e3o das Botas falam de um imagin\u00e1rio totalmente diferente do que se tem da independ\u00eancia do Brasil. A batalha gerou seus her\u00f3is, neste caso, quase todos origin\u00e1rios das camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o e reverenciados at\u00e9 hoje com carinho pelos baianos. S\u00e3o nomes inesquec\u00edveis nesta saga que n\u00e3o existem nos livros did\u00e1ticos de hist\u00f3ria do Brasil e, portanto, s\u00e3o desconhecidos para a maioria dos brasileiros. Posteriormente, foram acrescentadas as figuras simb\u00f3licas do Caboclo e da Cabocla. Hoje eles s\u00e3o \u201cas estrelas\u201d do cortejo, saindo em carros emblem\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O <strong>Caboclo e a Cabocla<\/strong> representam o ex\u00e9rcito que lutou na guerra formado por soldados regulares e volunt\u00e1rios, brancos pobres, tupinamb\u00e1s, negros libertos e pessoas escravizadas enviadas pelos seus senhores. Por todo o caminho, essas duas figuras simb\u00f3licas recebem dos passantes flores, frutas e bilhetes com pedidos. A famosa express\u00e3o baiana \u201cV\u00e1 chorar aos p\u00e9s do caboclo\u201d surgiu da\u00ed.<\/p>\n<p>Segundo Jaime Nascimento, o primeiro desfile em 1824 tinha s\u00f3 a representa\u00e7\u00e3o do Caboclo, n\u00e3o tinha a Cabocla. O fato curioso \u00e9 que ainda n\u00e3o era uma escultura, mas sim um senhor mesti\u00e7o (representando o povo), carregado em um dos carros abandonados pelos portugueses. Em 1826, foi encomendada uma escultura de Caboclo com uma lan\u00e7a, matando a serpente, que representava a tirania portuguesa.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 <strong>Maria Quit\u00e9ria<\/strong>, \u00e9 f\u00e1cil encontrar pessoas caracterizadas como ela pelo caminho, com um uniforme bonito e uma arma na m\u00e3o. Segundo Lu\u00eds Henrique Dias Tavares, ela teria deixado a fazenda do pai ao escutar not\u00edcias dos acontecimentos de 25 de junho de 1822 na vila de Cachoeira. Com roupa masculina, fornecida por seu cunhado, apresentou-se volunt\u00e1ria. Maria Quit\u00e9ria se destacou na defesa da Barra do Paragua\u00e7u, soldada do batalh\u00e3o Volunt\u00e1rios do Pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>A abadessa s\u00f3ror <strong>Joana Ang\u00e9lica<\/strong> virou m\u00e1rtir da independ\u00eancia por se colocar na porta do claustro do Convento da Lapa durante a tentativa de invas\u00e3o de soldados e marinheiros portugueses ao local. Pelas ruas, \u00e9 poss\u00edvel achar men\u00e7\u00f5es \u00e0 religiosa, at\u00e9 mesmo em crian\u00e7as caracterizadas.<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o das Botas<\/strong> foi um marinheiro Portugu\u00eas que aderiu \u00e0 autoridade do pr\u00edncipe Pedro e, com seu conhecimento, instruiu Cachoeira, Santo Amaro e S\u00e3o Francisco do Conde na arma\u00e7\u00e3o e comando dos barcos para combater a frota portuguesa, sendo decisivo para a guerra.<\/p>\n<p>O <strong>Corneteiro Lu\u00eds Lopes<\/strong> talvez tenha ficado no cora\u00e7\u00e3o dos baianos exatamente porque ningu\u00e9m sabe ao certo se a hist\u00f3ria contada \u00e9 ver\u00eddica ou n\u00e3o, o que deixa tudo mais curioso. Nenhum estudioso tem informa\u00e7\u00f5es aprofundadas, mas o que se sabe \u00e9 que ele participou do conflito que ficou conhecido como a Batalha de Piraj\u00e1, onde provavelmente teve um papel decisivo. Reza a lenda que em vez do toque de \u201crecuar\u201d, deu o sinal de \u201ccavalaria avan\u00e7ar\u201d e, em seguida, o de \u201cdegolar\u201d. E quem acabou partindo em retirada foram as tropas lusitanas, imaginando que os brasileiros tinham recebido refor\u00e7os.<\/p>\n<p>J\u00e1 os <strong>Encourados de Pedr\u00e3o<\/strong> hoje n\u00e3o saem em grande n\u00famero nos festejos. O Minist\u00e9rio P\u00fablico da Bahia proibiu a participa\u00e7\u00e3o de animais no cortejo. Na hist\u00f3ria, eles formaram um pelot\u00e3o de vaqueiros, vindos da Chapada Diamantina, que tamb\u00e9m foram \u00e0 luta. Por isso \u201cencourados\u201d, pois suas armaduras eram feitas de couro.<\/p>\n<p>Tem apenas alguns anos que uma mulher chamada <strong>Maria Felipa<\/strong> passou a ter sua hist\u00f3ria contada e celebrada como uma das hero\u00ednas do povo. Maria Felipa de Oliveira, uma mulher negra, pescadora, marisqueira e ganhadeira, lutou nas batalhas de Independ\u00eancia do Brasil na Ilha de Itaparica (Bahia \u2013 BA). Ela teria comandado um grupo de cerca de 40 mulheres para, primeiro, seduzir os portugueses e, depois, atear fogo \u00e0s embarca\u00e7\u00f5es deles. A ela tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00edda uma famosa surra de cansan\u00e7\u00e3o nos soldados portugueses.<\/p>\n<h3>O caminho percorrido pelo cortejo:<\/h3>\n<p>No dia 2 de Julho, o cortejo remonta a passagem do ex\u00e9rcito pelas ruas, fazendo, teoricamente, o mesmo percurso que teriam feito ao chegar \u00e0 cidade, tomando os fortes e se aquartelando nos conventos, igrejas e quart\u00e9is.<\/p>\n<p>O festejo sai do Largo da Lapinha, onde acontece queima de fogos, execu\u00e7\u00e3o do Hino Nacional e hasteamento da bandeira. H\u00e1 tamb\u00e9m a coloca\u00e7\u00e3o de flores, pelas autoridades, no monumento ao General Labatut \u2013 militar franc\u00eas que comandou o Ex\u00e9rcito Pacificador. Nesta caminhada, que passa pelo Convento da Soledade, em dire\u00e7\u00e3o ao bairro do Santo Ant\u00f4nio Al\u00e9m do Carmo, \u00e9 poss\u00edvel ver as casas decoradas nas cores das bandeiras do Brasil e do estado da Bahia. Isso tamb\u00e9m se deve a uma tradicional premia\u00e7\u00e3o para a melhor fachada, o que instiga ainda mais os moradores a participarem da festa.<\/p>\n<p>Marisa Vianna conta que no percurso, as pessoas botam em suas casas coisas alusivas ao 2 de julho.<em> \u201c\u2026 eu percebo que este gesto \u00e9 para estar partilhando desta comemora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Depois, o cortejo segue parando em v\u00e1rios pontos at\u00e9 o Pelourinho. Ao chegar \u00e0 Igreja de Nossa Senhora Ros\u00e1rio dos Pretos, h\u00e1 uma bonita homenagem. A Irmandade de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Homens Pretos foi fundada no ano de 1685 e elevada \u00e0 categoria de Ordem Terceira em 2 de julho de 1899. Uma data duplamente festiva. A homenagem come\u00e7a com missa \u00e0s 7h e, em seguida, com a chegada dos carros emblem\u00e1ticos, colocam coroas de flores nas imagens do Caboclo e da Cabocla.<\/p>\n<p>Seguindo pelo Centro Hist\u00f3rico at\u00e9 o Pal\u00e1cio Rio Branco, os carros param retornando por volta das 14h. \u00c9 neste momento que acontece uma Cerim\u00f4nia C\u00edvica no 2\u00ba Distrito Naval, no Com\u00e9rcio. Depois, o cortejo segue at\u00e9 o Campo Grande, onde acontece o hasteamento das bandeiras por autoridades, execu\u00e7\u00e3o do Hino Nacional pelas bandas de m\u00fasica da Marinha, Ex\u00e9rcito e Aeron\u00e1utica, coloca\u00e7\u00e3o de Coroas de Flores no Monumento ao 2 de Julho pelas autoridades presentes, acendimento da pira do Fogo Simb\u00f3lico \u2013 que normalmente \u00e9 de um grande atleta baiano \u2013 e execu\u00e7\u00e3o do Hino ao 2 de Julho.<\/p>\n<p>Finalizando o dia, das 17h30 \u00e0s 21h30, acontece o Encontro de Filarm\u00f4nicas vindas de Cachoeira, Saubara, Santo Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Francisco do Conde, Candeias, Sim\u00f5es Filho entre outras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>fonte: site salvadordabahia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na madrugada de 2 de Julho de 1823, a cidade de Salvador amanheceu quase deserta: o ex\u00e9rcito Portugu\u00eas deixou em definitivo a prov\u00edncia da Bahia. 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